16 abril 2008

Semear.te e o Porto - a cidade que o acolhe

Imaginando uma cidade sustentada – para o Porto – começámos este nosso projecto, olhando as suas ruas e as suas casas. E vislumbrámos, neste tecido arquitectónico urbano, os seus quintais – noutras épocas construídos e usados e, hoje, quantas vezes, em desuso – escondidos por detrás de fachadas do Porto antigo.
Quintais de terra fértil povoados de gatos dóceis e cães de companhia, de insectos efémeros e de pombos-domésticos onde, outrora, se misturavam, com maior ou menor organização, canteiros de flores – violetas e gladíolos; jarros e hortênsias – com frisos de terra escavada destinados a produtos hortícolas – aos tomateiros e pimenteiros; à couve galega e à salsa...
Num dos recantos desses quintais dispostos ao sol, o limoeiro, habitualmente; e os vasos, a treparem pelas prateleiras de madeira, onde o nosso olhar recaía sobre uma grande variedade de folhas – verdes ou matizadas – de begónia; de avencas ou de fetos...
As videiras ou as glicínias a recobrir o tanque. O galinheiro, ao fundo...
E quase sempre, em destaque, a camélia – a árvore japónica, tanto ao gosto dos portuenses...
Nos bairros ou em ruas modestas, as casas baixas. Um pequeno jardim à frente enfeitado de roseiras – rosas grandes e vistosas; e as pequenitas rosinhas-de-toucar –; as cravelinas e os arbustos; as trepadeiras. E também, por vezes, as couves, o feijoal e as ervas aromáticas. E as laranjeiras com frutos doces... Atrás, ainda, poderia haver um pequeno quintal ou um pátio recortado por canteiros ou adornado com vasos com plantas.
Quintais e jardins bem organizados ou aparentemente caóticos – mas sempre tendo presente o sentido do útil e do agradável, à medida de quem nessas casas habitava. Porque os seus elementos naturais se conjugavam na perfeição e interagiam habilmente, tornavam-se produtivos e proporcionavam momentos de lazer. Eram lugar de desfrute da natureza e de ocupação, física e emocional.

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